28 de fevereiro de 2005

CINEMA
Quando se visiona a maior parte das curtas produzidas e realizadas em Portugal (ou por portugueses) de 2004 e 2005 concluem-se várias coisas.
1. Não há grande diferença entre as curtas que receberam 45000 euros do ICAM e as que foram financiadas com o esforço pessoal de uma equipa. E quando existe, pesa, frequentemente, a favor das últimas.
2. Bastava que os responsáveis que decidem a atribuição de um conjunto limitado de apoios vissem os trabalhos anteriores apoiados pelas pessoas que se recandidatam para que tudo fosse diferente. Duvido que, com um mínimo de honestidade, se voltasse a atribuir um subsídio a um realizador/produtor que concluiu (quando concluiu - há DIVERSOS casos de pessoas que financiam filmes mais antigos com o dinheiro do PRÓXIMO subsídio) uma obra sem ponta de argumento, sem trabalho de direcção de actores, sem iluminação que permita vislumbrar os rostos dos referidos anteriormente, com um som cavernoso e não compreensível e, uma duração que ultrapassa de longe tudo o que a paciência humana pode aguentar.

3. O divórcio entre o interesse do público e a produção existente não deriva da "originalidade" das propostas: antes pelo contrário - basta comparar com centenas de outros filmes feitos na Europa, no mesmo período, para se perceber que há uma diferença entre Querer e Poder; entre ser Original e ser Presunçoso. Do meu ponto de vista, o que falta é conhecimento. Técnico: como se filma, como se ilumina, como se monta, como se escreve um argumento. Os nossos realizadores têm um longo caminho pela frente que passa pela modéstia de aprender em vez da arrogância de se queixar e pedir mais.

Concluindo: falta AVALIAÇÃO; que o público veja e vote. Que os júris saibam seleccionar e perceber as dificuldades técnicas e artísticas de um projecto. Mais: ficaríamos todos melhores se os subsídios fossem radicalmente DIMINUÍDOS. Multiplicar o número de projectos apoiados com menos dinheiro. Para fazer o que eu vi... meus amigos, deveria ser obrigatório PAGAR.

ps: nas Longas, a coisa não é melhor. Mas aí, o jogo de interesses é outro. E a conversa também terá de ser outra.
ps2: agradeço antecipadamente as contribuições úteis a esta discussão. Repito: as úteis.

26 de fevereiro de 2005

CHOVE EM SANTIAGO

Afinal, Fátima tem razão de existir. Depois de terem rezado uma série de missas para que começasse a chover, ela aí está, a malandra, a molhar quanto pode. Ora toma lá, ó céptico!
E se outra prova fosse necessária, bastaria referir a forma como até ao momento praticamente não choveu em Lisboa, reduto de ateus e de votantes no Bloco de Esquerda (malgré as indicações dos párocos locais, helàs!). Não admira que a fraca precipitação só se verifique na zona da Lapa, Basílica da Estrela, largo do Caldas e alto do Parque Eduardo VII.
Deus não dorme.
SOPAS E DESCANSO

Vasco Pulido Valente, com o seu pessimismo esclarecido, duvida da capacidade do novo governo em mobilizar os portugueses para a "inovação tecnológica" ou para a "iniciativa empresarial". Houve um tempo em que eu achava que ele estava enganado ao descrever o país como um lugar onde um grupo de pessoas suspira para que as deixem em paz, sem se questionarem nas suas rotinas e que sonha apenas com o pãozito (mais ou menos requintado) na mesa. Agora, já não. Portugal sonha com a figura do Pai: o pai é que diz como se faz, o pai ralha ou sorri, mas a comidinha deve aparecer sempre na mesa. Sem perguntas, nem sentido crítico.
SMOKING NONSENSE


São 12.000 as pessoas que morrem em Portugal de causas relacionadas com o tabagismo. Perante isto, Manuel Pais Clemente, presidente do Conselho de Prevenção do Tabagismo veio congratular-se, no momento da assinatura de um tratado mundial sobre a matéria. Neste artigo pode ler-se que Portugal "o consumo de tabaco configura "uma das melhores situações da Europa, só ultrapassada pelos países nórdicos", com uma prevalência de 19 por cento de fumadores no conjunto da população, enquanto em Espanha, por exemplo, esse valor atinge os 36 por cento". 19 %?! 19%?! Peço desculpa da insistência, mas em que documentos assentam estas afirmações? Estaremos todos enganados quando achamos que esta percentagem é no mínimo multiplicada por 3? ou 4? Sei que estou a ficar mais fraco da vista, mas não creio que os meus olhos me enganem de tal maneira...

24 de fevereiro de 2005

THE CATCHER IN THE RYE E UMA CONFISSÃO

Saiu a tradução (nunca tinha visto nenhuma... talvez existisse) do "The catcher..." o livro que muitos leram no 12º ano, em Inglês 2. Está a ser divertido reencontrar a abordagem linguística de J.D.Salinger ao calão americano dos anos 40. Na Difel, com tradução (boa) de José Lima.
Ah, a confissão: é pá... não consigo ter pachorra para o "Aleph", do Borges. Há-de ser problema meu, mas não dá...

21 de fevereiro de 2005

TOLENTINO

Estava à procura de informação sobre o último livro do José Tolentino Mendoça, poeta que admiro com o coração todo, quando deparei com o site da Assírio. Elegante, discreto e de bom gosto. Como as pessoas que dirigem a editora dos bons poetas. Sou e serei um bom cliente da casa ;)
Quanto ao livro, ainda não o li. Mas num país em que toda a gente é tudo - poeta, inclusivé - sem conseguirem ver a distância que separa o seu ferro-velho da Torre Eiffel de muito poucos, não se pode perder de vista o trabalho do nosso padre-poeta.
A CULPA É DOS OUTROS MENINOS!

Santana fez o que se esperava: não se demitiu. O seu EU CEGO é grande, além de alimentado em parte pelos gritinhos das meninas louras e do Granger das telenovelas. Na minha opinião, seria melhor que ele se despachasse a aceitar o tacho que o Luis Delgado já lhe terá preparado na PT, ou outro qualquer dos muitos medíocres ambiciosos que promoveu. Evitava assim, o degradante espectáculo de ver as vísceras comidas pelas hienas saltitantes do seu partido.
LEITURAS
Acabei finalmente de ler o livro de Ivo Andric, O PÁTIO MALDITO (edição Cavalo de Ferro). Demorei, não porque não fosse interessante. Pelo contrário, a escrita despojada e o facto de ter coisas para dizer fazem dele um autor muito interessante, a seguir, à medida que nos vão chegando traduções. Ler na cama é que demora. Ainda sobra pouco tempo :)
patio.jpg

19 de fevereiro de 2005

A CAÇA À BRUXA

Lá fui ver o filme "Relatório Kinsey". Sim, não é um grande filme, cinematograficamente falando. E contudo, talvez não fosse má ideia passá-lo em todas as escolas secundárias do país. Para que se percebam duas coisas: uma, de que há mais coisas na Natureza do que tomamos por certo e confortável. Outra, que basta um homem pronunciar desapaixonadamente as palavras "pénis" e "vagina", ou dizer a outros homens que as suas mulheres e avós se masturbam e que muitas delas se envolveram em paixões lésbicas, para que milhares de pessoas se movam para o calar.
Se pensarmos no debate acalorado que gera o ensino da sexualidade nas nossas escolas ou que a maior parte dos portugueses nunca pensaria em pronunciar a palavra "orgasmo" numa de família, para se perceber onde estamos, face ao que foi estudado pelo investigador em meados do século passado.
O sexo mete tanto medo como as cobras. Ora, seria curioso pensar de onde nos vem o pavor da serpente... Digo, eu... ;)

2scream.JPG
O FIM DA CAMPANHA
UFA! Com um bocadinho de sorte, não será preciso andar a gastar o nosso tempo com a política. Afastado o carrapato santanal e diminuída a força de andar para trás do hipócrita azulado, as coisas talvez sosseguem. Por uns tempos. Claro que se sucederão nas próximas semanas as nomeações histéricas de tudo quanto foi boy laranja. Mas isso não será nada a que não estejamos habituados, variando só a quantidade de amarelo que se junta ao vermelho e ao branco.
Como o pesadelo está a terminar também não vale a pena perder tempo a comentar a cartinha chorona do ex-primeiro- que-o-foi. Juro pelos deuses que nunca vi lamúria mais patética. Mas suponho que a coisa deva funcionar com aquele género de mulherio que gosta de ver o parceiro com uma fraldinha. O relatório Kinsey (de que falarei noutro post) explica. Só lido, que contado ninguém acreditaria.

17 de fevereiro de 2005

ESTACIONAMENTO

Aparentemente a Câmara de Lisboa está com dificuldade em saber onde fica Campo de Ourique. Devem imaginar que é muito longe. Que outra explicação se encontraria para o facto dos seus funcionários de limpeza, transporte porta-a-porta (enfim, uma ideia que... enfim..), polícia municipal, entre outros, não consigam avistar as dezenas de carros abandonados nas ruas. Quer dizer, se calhar vêem... mas não têm a certeza. Afinal, um carro sem vidros, sem metade das rodas, com lixo lá dentro... pode sempre pertencer a um morador, claro...
car_p.jpg
A GREVE

A RTP está em greve. Querem mais regalias. Está certo. Afinal, a "batalha da produtividade" só deverá começar a 21 de Fevereiro.
AINDA A POLÍTICA

Os 2 maiores partidos estão de acordo: é preciso que a escola se torne um meio "útil" de ganhar a vida. Não há tempo a perder com cursos humanísticos ou de cariz artístico. Que a coisa está provada que não alimenta.
Como está longe o sonho de Agostinho da Silva de que o homem deve ser livre de escolher o seu destino. Pelo menos por cá. Pelo menos com estas pessoas.
CARTAS AO DIRECTOR

Um leitor, identificando-se como católico, escreveu ao jornal Público interrogando-se sobre a diferença de atitude do actual governo perante a morte de Sophia de Mello Breyner, Maria de Lourdes Pintasilgo e da irmã carmelita Lúcia. "Uma foi talvez a nossa maior poetisa de sempre, candidata ao Prémio Nobel da Literatura e uma cidadã a todos os títulos exemplar; a segundda foi uma mulher integrada numa ordem religiosa, que dedicou a sua vida às mais elevadas causas e trouxe à políticaa marca do seu ideal cristão, chegando a ser a única primeira-ministra de Portugal. A irmã Lúcia foi um exemplo de vida abnegada e simples movida por uma enorme fé em fenómenos ocorridos em Fátima (...) Sabe-se que não houve luto nacional nem funerais de Estado aquando da morte das duas primeiras e esta disparidade de tratamento faz-nos pensar nos valores que nos orientam..."
Pois faz.
SERVIÇOS PÚBLICOS

Paulo Portas assenta parte do seu discurso no facto de ter "reparado a injustiça da dívida de Portugal aos ex-combatentes"; segundo ele, um grupo de pessoas que andou nas guerras de África mereceriam o "nosso" reconhecimento pelos "serviços prestados". Expliquem-me lá se estou enganado, mas os "serviços prestados" não consistiram em lançar napalm sobre populações indígenas ou encher de tiros os movimentos que pretendiam a libertação do seu país? Isto merece ser "recompensado"? A mim parece-me mais o contrário.
De duas uma: ou estamos a falar de militares de carreira que escolheram o caminho da guerra, ou estamos a falar de jovens recrutados à força e enfiados em barcos e aviões para irem matar ao serviço de um regime caduco.
Onde é que está a necessidade de "reconhecimento" dos portugueses?
Eu não sei é como é que as gerações imigrantes filhos dos homens que morreram nas ex-colónias não saem à rua em protesto. Isso sim, seria o reconhecimento que as ideias fascistas de Paulo Portas mereceriam.

15 de fevereiro de 2005

BZZZZZZZZZZZZZZZzzzttt

É maravilhosa a quantidade de "Choques" que os partidos prometem. Ainda não ouvi nenhum falar em CHOQUE CULTURAL. Mas, se pensarmos que o orçamento da cultura é inferior a 0, 6 % e que o mais importante vai ser a COMPETIÇÃO com todos e mais algum, compreende-se. Acrescente-se a isto, a ilusão de que o país real lê regularmente, desenvolveu espírito crítico, e vê bom cinema. O problema é que entre Lisboa e o resto de Portugal existem algumas dificuldades de relevo.
CAMPEONATOS

Gostei de ver a Bárbara Guimarães a questionar, valente, a gramática vigente.
É assim mesmo, que a coisa está sempre em mutação!
RELATÓRIOS
Sugerem que se comente o relatório Kinsey, a partir do filme actualmente em cartaz. Li parte do livro, na minha adolescência... E deus sabe o que a coisa me aliviou. O filme ainda não vi, mas bem-hajas, caro investigador, onde quer que estejas! Provavelmente anda a investigar o sexo dos anjos...
PRAZER_ADIADO

Caros amigos (admitindo que ainda anda por aí alguém cheio de paciência ;) ), têm-me faltado tempo e assunto relevante para actualizar o blogue. De qualquer maneira, basta dar uma vista de olhos ao Sapo para ver que não há político que não blogue (verbo). Ainda escrevem a coisa à inglesa, mas, se não se fartarem antes, lá irão. Ainda neste sentido, seria curioso comparar a atitude de desprezo de tantos jornalistas e meios de comunicação social, de há 2 anos atrás (quando este blogue se iniciou), com a reverência actualmente apresentada. De onde se prova que uns fazem e outros desprezam, antes de seguir. Enfim...

4 de fevereiro de 2005

GOSTAVA TANTO
de poder voltar a falar de livros e de filmes.
Despachem-se lá com as eleições para ver se damos sossego à indignação.
Por uns tempos, claro.

ZAPPING

Num canal, um programa antigo. Pediam a Maria da Graça (do"Páteo das Cantigas") que cantasse de novo, o seu maior sucesso. E do fundo dos anos 40, ela cantou. E nos seus olhos, o brilho da rapariga bonita e sedutora. E, ao mesmo tempo, o agradecimento por lhe permitirem, por minutos, voltar a ser ela, por inteiro.
Num mundo que nunca reconhece os que nos precederam.

1 de fevereiro de 2005

O QUE ESTÁ EM JOGO

A derrota esperada de Santana Lopes é um sinal de esperança; um indício que os portugueses que em 1975 não se deixaram acantonar num anacrónico Little Moscow ainda mexem. Talvez o país rasca de falsas tias, levanta-te e ri, pasquins de mexericos e cultura light, baixe a cabeça por uns tempos. Não desaparecerá, porque as ervas daninhas são resistentes. Mas, talvez por um momento, possamos acreditar que Portugal não foi todo entregue aos bichos.
2000 LÉGUAS SUBMARINAS

Hoje, com o Público, o meu livro favorito de Verne. Há uma altura na vida em que viajar num submarino de misteriosa tecnologia e alimentar-se de coisas igualmente misteriosas e que cresçam no fundo do mar faz toda a diferença. Não terá o prestígio do Proust, mas que me fez feliz releitura atrás de releitura, isso fez :)

31 de janeiro de 2005

NAS MÃOS

Há livros que mudam a nossa vida; há pessoas que mudam a nossa vida; há encontros que mudam tudo. Num programa de televisão, Lucia Sigalho contava como deixou de ser jornalista e passou a ser actriz: encontrou Agostinho da Silva. Foi entrevistá-lo e ao fim de 3 dias deu por si a passear por Lisboa a mudar o destino.
É como a canção do Sérgio "Ai eu estava quase morto no deserto e o porto aqui tão perto". Nas próprias mãos, na ocorrência.
S.LUÍS

É um dos teatros mais bonitos e confortáveis da cidade de Lisboa. O vermelho e o dourado predominam, clássicos. Há sítios que nos lembram que de vez em quando se constroem coisas bonitas.
O espectáculo musical "Cabeças no Ar" é simpático. As músicas familiares de Veloso e Gil, bem como as letras (iguais a si mesmas) de Carlos Tê, interessam a audiência. A coisa contada não é nada de especial: uma escola, uma data de rapaziada aos pulos sem saber se há estrelas no céu, um professor "fora" e por aí adiante. Mas funciona e as pessoas gostam. O que é bastante. A maioria dos actores canta bem e não se mexe mal. Destaque (se necessário fosse) para Marco de Almeida, o setôr, que tem uma rábula inicial bem conseguida. A ver.

ps: menos intesssante é o pessoal arrumador. Mesmo sabendo que é chato trabalhar ao sábado, ainda assim não é razão para a senhora que levava as pessoas ao lugar ser grosseira (além de ineficaz). Que eu visse, além de conduzir o público do 1º balcão da forma que a ela melhor convinha, fazendo levantar constantemente, toda a gente, ainda se manifestou em tom rude: "Mostre lá os bilhetes". A senhora visada, com os filhos, lá respondeu delicadamente, que estava onde a tinham colocado. Foi tudo empurrado sem cerimónia para um dos lados, para que o erro de bilheteira se recompusesse. Um teatro destes merecia não ter gente desta no seu interior.

29 de janeiro de 2005

LIBERDADE OU A MORTE

O cardeal polaco Antoni Stankiewicz lembrou a posição do Vaticano sobre os casamentos gays: são contra.
Em Portugal, membros da Opus Dei (durante um almoço de confraternização entre administradores do BCP e o seu homem no governo, Bagão) terão aplaudido a afirmação. Segundo consta, um homem de cabeleira loura e fato príncipe de Gales terá mesmo atravessado a sala gritando: "Casar para quê, se ser solteiro e bom rapaz é que dá votos...!".

27 de janeiro de 2005

ENVELHECER BEM

Os novos mais velhos lembrar-se-ão da tentativa de eleição de Freitas do Amaral à presidência da república. Além da derrota, ficou-nos a lembrança dos (ridículos) sobretudos verdes e que muita gente usou anos a fio (por razões económicas, suponho). Nesses tempos, poucas coisas sensatas dizia. Contudo, e ao contrário do que normalmente sucede, as suas ideias têm vindo a ficar mais sensatas com o tempo. Claro que os pps o classificam de "esquerdista", mas como habitualmente não possuem mais do que duas palavras no seu vocabulário "Tio" e "comuna", o uso do canhoto termo já é um progresso (em francês parece que sabem dizer "Deneuve" e "vichysoise", mas não contam).
Posto isto, e excluindo os deslizes da dramaturgia, pode-se dizer que o ex-líder do CDS tem envelhecio para melhor. Esperemos que o exemplo se repita, no futuro...
O FRIO
quando nasce é para todos. Livra!

22 de janeiro de 2005

BOAS NOTÍCIAS 2

Dou o dito por não dito no que se refere à eleição de Santana Lopes e dos seus rapazes-maravilha. A julgar pelas promessas que faz caso seja reeleito, tudo será diferente em 2005. Os impostos, a educação, a saúde! E mesmo as estatísticas que afirmam que o crescimento acontecido em 2004 se referem exclusivamente ao período anterior ao seu mandato, e que daí para a frente foi sempre a descer, poderão ser alteradas. Deve ser um problmema da Amostra...

BOAS NOTÍCIAS

Afinal fumar SG Ventil não faz mal! Ufa! Por momentos pensámos que até era capaz de ser prejudicial à saúde. Ainda bem que tudo se esclareceu.
TEATRO NO FEMININO

Está a decorrer na SPA, numa organização da companhia Escola de Mulheres, uma série de conferências, debates e leituras sobre teatro. Até domingo à noite. Em Lisboa, na av. Duque de Loulé, 31.

21 de janeiro de 2005

QUEM DORME COM QUEM

os jornais de mexericos interrogam-se. Cada um lá terá as suas preocupações. Mas que conste que existem pessoas mais preocupadas em saber quem dorme ao seu próprio lado.
PORTUGAL

sofre do problema de autoestima das comadres. Falam, falam, falam, falam... ficamos chateados? Pois ficamos!
TODO O TEMPO
é pouco para viver.

13 de janeiro de 2005

SANTANÉ E PRÍNCIPE

Lol, amigos: já nem vou dizer nada.
Num país em que a taróloga e abelha Maia vem de perna cruzada, sentar-se ao lado do macho-man Cláudio R. , mostrando-se feliz porque "finalmente" as "figuras públicas" começam a dar conferências de imprensa e a enviar press releases sempre que decidem divorciar-se, acredita-se em tudo. Até que o companheiro Santana pode ganhar porque a maioria dos portugueses (segundo as estatísticas) votam "na cor", independentemente do programa ou equipa.
Parece-me contudo, que qualquer pessoa do PSD que não tenha enlouquecido ou não sonhe ser capa da Caras, deveria considerar a hipótese de se abster. Ou Saramaguianamente, votar em branco. A não ser que achem possível viver num país onde a vergonha se esqueceu do nome da mãe.

12 de janeiro de 2005

PARIS 2

Numa sala do tamanho de um lenço de papel, 80 espectadores e 6 actores. A peça é da dupla Jean-Pierre Bacri, Agnès Jaoui (de quem está em exibição o filme "Comme une image", em Portugal).
Durante mais de uma hora esquecemo-nos de que estamos com as pernas encolhidas para não pisar os actores. O esquecimento advém da qualidade do texto e do trabalho irreprensível dos actores. Não me consta que tivessem necessidade de subsídio e as cadeiras e mesas com que nos convenceram eram muito semelhantes às que encontrámos no café ao lado. Também não percebi que se tratasse do que os nossos "independentes" chamam depreciativamente "Teatro comercial". Era teatro, eram bom, e voltaria na noite seguinte se não houvesse outra peça a ver.
Concluam o que quiserem.
PARIS

Ela está sempre lá, pronta a mostrar-nos o tamanho da nossa aldeia de origem. Somos hobbits, habituados a olhar o rabo dos cavalos que vivem entre nós e a tomá-los por gigantes importantes, os que olham o Sena e os barcos que passam por entre os edifícios monumentais. Ali a tacanhez que levamos agarrada às solas, dissolve-se por um momento. Percebe-se melhor que viver em Portugal não é viver entre os maus, apenas passar a vida na província, a almoçar com os primos. O que pode ser bom, se não esquecermos que existem coisas para lá dos muros da quintinha.
LE PURPLE JOURNAL

Comprei o número de Inverno da versão francesa, apenas pelo texto que também é capa:

"Dans cette période déxtrême médiocrité historique, de trhaison et de honte: Vivons! Acucueillons le chaos! Affirmons avec joie notre non-participation au monde tel qu'il se détruit! Adoptons la vitesse de la mélodie! Nw plaisons à personne! Aimons! Soupirons aux oreilles des trâitres! N'Apaartenons à rien! Chérissons nos amis américanis! Amusons-nous de la parade! Soyons le vent Soyons la pluie! N'ayons peur de rien! Vivons, car c'est officiel, nous sommes en train de mourir!"

Não poderia estar mais de acordo, ironia incluída.

6 de janeiro de 2005

A POESIA 2

Em resposta ao repto lançado, aqui fica uma poesia do Alexandre o'Neill, extraída do livro "Poemas da minha vida", do Urbano T. Rodrigues.

"POIS
O respeitoso membro de azevedo e silva
nunca perpenetrou nas intenções de elisa
que eram as melhores. Assim tudo ficou
em balbúrdias de língua cabriolas de mão

Assim tudo ficou até que não.

Azevedo e silva ao volante do mini
vê a elisa a ultrapassá-lo alguns anos depois
e pensa pensa com os seus travões
Ah cabra eram tão puras as minhas intenções.

E a elisa passa rindo dentura aos clarões."

:)
SERVIÇO PÚBICO

No outro dia julguei ter ido parar o Canal Memória: uma senhora de idade, parecida com a Olga Cardoso, falava simpática e anacronicamente com pessoas que escrevem em jornais ou apresentam notícias. Estava enganado, o programa era de 2005 e a apresentadora ainda está (por assim dizer) viva. Chamava-se o anacronismo "Clube de Jornalistas".
Lembrei-me, hoje, disso, ao ver a entrevista do director da 2, Manuel Falcão. O homem está contentíssimo com o que por lá se faz e com as franjas de audência que (de vez em quando) ali encalham. Cita o referido programa como exemplo de excelência...
Enfim, o pior cego é que não quer ver. Ou o que nos quer cegar a nós.

ANDA RESTAM COISAS

Recebo pelo correio, o livro de poemas seleccionado pelo meu amigo e excelente escritor Urbano Tavares Rodrigues, em edição do Público. Durante umas horas viajei pela poesia que marcou a sua vida.
No fim, percebi melhor por que se lê.
E o que interessa ler.


À PALA DA CULTURA

Afinal, Santana Lopes interessa-se bastante pela Cultura... A escritora recusou, mas o convite foi feito.
Não há mesmo coindências... helàs!
ps: ainda lhe resta a Maria João Pires... se começar a tocar violino. O Chopin já ela domina.

2 de janeiro de 2005

O EMBAIXADOR

Noto, com tristeza, alguma má vontade nos media a respeito das férias do embaixador de pORTUGAL no Sião. Eu não conheço o contrato colectivo que rege esta classe, mas estou certo que além de terem direito a passarem os cargos de forma dinástica, também deverão poder gozar as férias quando lhes apeteça... Tá bem, há o detalhe do maremoto... mas que Diabo...!
demanda do r.jpg

ps: gostaria ainda de aventar outra hipótese, para a demora do senhor. É que ao ouvi-lo falar (uma semana depois) no seu país de colocação, percebi que trocava os "Rs", pelos "Gs", tipo Baggança. Talvez tenha vindo a Portugal à procura das fricativas (Rs). O que me parece legítimo.
2 DE JANEIRO

Ontem de manhã estive a tomar as minhas resoluções de novo ano.
Afinal eram simples: não morrer de fome, escrever, escrever, escrever, deitar - mais um bocadinho - fora o que de mim agrida os outros e que não ajude ninguém.
Estou inclinado para a concretização da segunda...
;)

30 de dezembro de 2004

BOM ANO

Caros amigos/visitantes.
O que passou foi complicado para a maioria de nós, com crises financeiras, desgovernos em fuga e a tomada de consciência da linha frágil em que se movem os homens e mulheres de bem portugueses.
Ia escrever: "2005 não poderá ser pior",mas vêm-me à memória as imagens trágicas em directo dos paraísos para ocidentais. E todas as certezas caem por terra. Mesmo as que se referem à importância das coisas que por aqui se discutem. Todos os sobreviventes do maremoto diziam "estou vivo e isso é que interessa". Que nos fique a lição para o ano que começa.

19 de dezembro de 2004

2 FILMES NUMA NOITE

Como o Fernando Fragata se declarava vítima do sistema pseudo-intelectual e como o EXPRESSO lhe dedicava uma crítica condescendente, resolvi ir ver o SORTE NULA. Como é sabido, estou entre os que defendem a necessidade de um cinema português mais comunicante.
Havia meia-dúzia de espectadores na enorme sala. Eu fui dos que saí ao fim de 20 minutos. Porquê? Simples: a coisa poderia chamar-se Pesadelo de Qualquer Coisa 2. O realizador simplesmente não tem uma única ideia de realização. Não tem a ver com querer fazer acção, nem do filme ter um orçamento baixo. BALAS E BOLINHOS que é uma brincadeira de amigos é incomparavelmente melhor, esse sim, mereceria ter sido bastante mais apoiado. Comparo os dois, porque ambos são filmes de baixíssimo orçamento. Só que o primeiro não queria ser mais do era; Sorte Nula quer ser tudo o que nunca será. Basicamente, não tem argumento, tem uma imagem pavorosa, os actores (os que o são, em qualquer sentido do termo) andam aos papéis num filme onde não devem ter visto qualquer papel.
Fernando Fragata é um operador de steadycam que gostaria de ser realizador. Mas, e digo isto com uma sinceridade que ele nunca poderá compreender, já que me move apenas o desejo de ver bons filmes, para se ser Spielberg é preciso mais do que deixar crescer as barbas e ir passear para LA.

Fiquei tão agastado com aquela... coisa, que fui a pé até ao Monumental, onde comprei de forma descrente bilhete para A COSTA DOS MURMÚRIOS.
E... percebi a diferença entre o QUERER e o SER CAPAZ. O filme de Margarida Cardoso é absolutamente conseguido, excelente. E não é só pela fotografia que é das melhores que já vi no cinema, ou pelo desempenho dos actores (com destaque para a Beatriz Batarda, claro), mas toda a película respira de forma segura pela mão da realizadora. Margarida Cardoso, que nos habituara desde DOIS DRAGÕES a uma forma rigorosa de filmar, mostra-se aqui em plena maturidade. Perpassa a sombra de Lucrecia Martel, na forma de filmar os ombros desnudados das mulheres. E ainda bem.
É de longe o melhor filme português dos últimos anos. Filma África não como o postal ilustrado que a fotografia poderia produzir, mas de forma significativa e coerente. É "parado", sim, mas não tem nada do pseudo-intelectualismo de que Fragata se queixa (e nalguns casos com razão, basta ver os filmes estreados entre nós). É apenas um belíssimo filme.
Uma noite que começou mal em português, para acabar em beleza, como um céu coberto de flamingos rosa.

16 de dezembro de 2004

A POUCA VERGONHA E O VENTO TÊM O MESMO ATREVIMENTO

Se olharem para baixo, lerão a minha descrença face ao desaparecimento desta nódoa que nos anda a governar há algum tempo. Tal como as irmãs feitas de gordura, uma vez entaladas na roupa, custam a sair. Habituam-se a passear na lapela dos fatos.
A proposta maquiavélica de Portas é ao mesmo tempo ingénua e filha da sem-vergonhice total. Tentar encostar o Presidente à parede com a argumentação de que vão a votos em separado para obter mais lugares mas que estão juntos e como tal deverão governar em caso de não existir maioria absoluta de outro partido, é ignóbil. É ir contra a essência da democracia no que ela tem de respeitar a vontade do povo. Os que defendem que as mulheres devem continuar a ir presas se interromperem a sua gravidez porque em referendo UMA MICRO-PERCENTAGEM O DETERMINOU, vêm agora defender que as maiorias são relativas.
Não fosse termos assistido nestes meses à sua despudorada actuação e coraríamos por vergonha alheia.
Assim só nos resta engolir o nojo deste striptease humano, à direita do bom-senso.

13 de dezembro de 2004

BZZZZZZZZZZZZZzzzzzzzzz

Julgo ter, tal como milhares de outras pessoas neste país, o telefone sob escuta. O que não me chateia particularmente. O meu problema é mais a chiadeira que a coisa faz. Daí que proponha aos responsáveis que das duas uma: ou melhoram nos equipamentos de brincar aos detectives, ou param e eu aviso quando for dizer alguma coisa que eles possam vender à imprensa de escândalos ou cor-de-rosa. Uma espécie de pacto de nacional-porreirismo. Que acham?
Obrigado pela atenção.
A POLÍTICA JÁ ENJOA, MAS AINDA ASSIM...

sempre vou dizendo que estou com pena do PSD. Goste-se ou não se goste, e depois de se excluir a gigantesca turba de clientes de argoleta e gravatinha, anda por lá gente com algum mérito. Terão uma visão um bocadinho menos compadecida as coisas e um certo gosto por autoestradas, mas que fazer...? Agora, verem o seu futuro nas mãos de um arrivista da pior espécie enquanto aturam outro arrivista, ainda de pior calibre, ridiculamente minoritario em votos, a DECIDIR SE OS DEIXA COLIGAR com ele... deve doer. Mas um congresso que se deixa manipular por alguém como Santana Lopes merece o destino que lhe está destinado...
O QUE VER NAS COISAS QUE SÃO

Um amigo que escreve sobre livros fazia referência, há uns dias, a um escritor injustamente pouco conhecido, num dos seus artigos. Não poderia estar mais de acordo quanto ao valor da pessoa em causa. Nem quanto à menção de ser ela mais merecedora de atenção do que muitos que a recebem sem merecimento.
Já a ideia de que parte desse valor deriva das citações implícitas, prova de ciclópicas leituras, me perturba como critério. Não que o duvide, mas se isso bastasse, se não houvesse mais nada ( e não é o caso) teria de me apropriar do comentário que o Rui faz, uns posts abaixo, e dizer que ainda vou preferindo os que nada leram e contudo criam. À conta das leituras têm-se criado e mantido alguns dos blufes nacionais. Alguma coisa mais terá de haver...
Mas isso é apenas a opinião de quem vem de família sem biblioteca própria...

AINDA CÁ VOLTO...

O governo "demitiu-se"?! Hello: loiras... Vocês foram despedidos. Uma pessoa despedida não se despede... Sai.
Daaaa.... Tecla 3....

blonde.jpg
THE INCREDIBLES

Fui finalmente ver o último filme da PIXAR. Ao contrário do que nos habituaram, desta vez trazem uma curta fraquinha, a acompanhar.
Mas o filme é, de novo, uma pérola de rigor e interesse.
Já tenho personagem favorita para os próximos tempos. O meu reino pela ideia de uma Edna estilisa :)

8 de dezembro de 2004

ANSIEDADE
Estou ansioso por saber o que Paulo Portas decidiu em nome dos franjinhas para as próximas eleições. Ele HOJE já sabia. Mas só conta AMANHÃ, o malandreco.
Se calhar é que vai aderir ao Bloco de Esquerda, deixar de mentir com quantos dentes tem na boca e sair do armário da hipocrisia.
Nossa Senhora de Fátima (com toda a pastorícia acoplada) o ilumine.
Ó INCLEMÊNCIA

Não acredito que o Pinto da Costa tivesse sido capaz de um acto ilegal para promover o seu clube ou os interesses adjacentes. Olha-se para ele e vê-se logo que é um homem com um grande coração. Capaz até de levar um árbitro feínho como um judas, preterido pelas mulheres, até um sítio onde este possa encontrar convívio e compreensão, se necessário.
O mundo tem bons e maus. Outros alternam.

6 de dezembro de 2004

POLÍTICA

Desenganem-se, os que julgam que o afastamento do governo do execrável Santana Lopes e de Portas com os seus meninos e velhos virá acabar com este Portugal-podengo, deitado junto à fonte do calor, babando-se, alarve. Nem Sócrates, a vencer as próximas eleições terá forças para afastar este ninho de pulgas sequiosas. São demasiadas as revistas e jornais "choque", rosa-choque, a publicar, longo o braço da PT e dos bancos feitos no céu, seja por graça do espírito-santo, seja pelo acenar do opusdeisiano jardim. Portugal começou o milénio agarrado com as tenazes do despudor moral e financeiro. Não se irá deitar em cama limpa tão cedo.
ALEXANDRE

A Mary Renault deve estar aos saltos na tumba. Os seus 3 livros (em Portugal editados pela Assírio) foram estraçalhados da pior maneira: reproduzindo-lhes partes, quase literalmente, fora de contexto ou sem a preparação devida à compreensão.
As 3 horas de filme facilmente se converteriam em 2 mais interessantes se Oliver Stone e os seus produtores compreendessem que Historia e América rimam com dificuldade.
Falta-lhes a fúria e a paixão, como muito bem disse Jorge Leitão Ramos no Expresso.
Sobra a converseta.

ps: foi curioso ver o riso alarve que ia grassando pela sala lotada sempre que Alexandre confirmava o seu amor a Hefestion. E alguma razão tinham, na sua provinciana ignorância, os espectadores, já que o realizador parecia acordar lá de vez em quando, para se lembrar de que a energia da personagem principal também vinha do amor dos que o rodeavam...
Enfim, leiam-se os livros.

2 de dezembro de 2004

HOGWARTS RELIGIOSO

Em Évora fiquei alojado numa das "celas" dos antigos (e bastante sumidos) seminaristas. Era fria e a janela estreita. Mas por ela podia ver-se uma coruja... não, várias, que vigiavam das varandas dos padres. Levei dois dias a descobrir que eram de plástico.

ONDE ESTÁ O MEU COELHINHO SÁBIO

Vai-nos fazer falta, a certeza de ter a lux-cara do camarada Santana, a sua voz arrastada e monocórdica a falar do que não faz ideia nenhuma.
Como ficaremos sem a inteligência da secretária de estado da defesa... perdão, da cULTURA, e, sobretudo, sem a visão dos seus cabelos loiros por detrás dos vidros de um luxuoso carro.
Não falo do secretário geral das ondas... como lamentaremos não ouvir os seus discursos em bom português. Portas e Santana têm razão: não se percebe o porquê do afastamento deste harmonioso bando.
Muito menos o da sua nomeação.

30 de novembro de 2004

TEMPUS
fugit.
Bem o tento repreender. Mas ele insiste com a estreiteza das 24 horas. Bem me posso cansar a lembrar a necessidade de escrever no blogue...
Nada: o seráfico permanece irredutivelmente apressado.

24 de novembro de 2004

VENDE-SE
Gripe em bom estado. Quase nova. Alto desempenho (1 pacote de lenços-hora) e com espírito de permanência.
Motivo: falta de tempo do proprietário para a entreter.

22 de novembro de 2004

diário

cansado. durante dez horas, assistir ao transformar do actor. o olhar de câmara e as convulsões internas do personagem. as subtilezas que se afinam. ser o chato, o que pede mais um take, enquanto a pessoa frente ao pano azul ignora as luzes, os microfones e o olho de vidro, e se imagina outro. cada palavra é espremida até que os seus vários sentidos escorram pela sala, nessas horas maior do que ela própria. transformada.
da universidade de turim chega-me a notícia que o "segura-te..." foi traduzido para a antiga língua, por vários estudantes. se fico contente? fico. pela partilha. só por ela. como quem faz - de alguma forma - novos amigos. vem-me à cabeça a figura das criaturas que andam pela net a alardear que descobriram erros e fragilidades no trabalho dos outros. ideia contrária à das traduções. vive mdo apoucar por razões claras e tristes. há crueldade divina no deixar que o fel cresça no coração de alguns. poderia existir lá um prado, se deixassem. mas o medo de si, o desprezo com que chamam em surdina o próprio nome, é mais forte.
de londres, e-mail de um antigo aluno, e amigo, por consequência. fala-me do país com o olhar de quem acaba de chegar e não se lembra bem onde deixou o guarda-chuva. fico contente de o saber em busca de mais conhecimento. um destes dias há-de escrever coisa maior. e não serei só eu a desejar-lhe uma aprendizagem frutuosa.
amanhã, oito horas de aulas. no meio, reuniões e trabalho extra. preparar tudo, antes de deitar.
cansado. e apesar disso vou gostar de acordar.

20 de novembro de 2004

SAMPAIO NÃO TEM CORAÇÃO

O ex-presidente de todos os portugueses negou à família Santana o seu gabinete de propaganda. "Que só ia dar 30 tachos", ainda argumentou o governo, "no estrangeiro chegam a ser 200 pessoas a trabalhar nisto". Mas não adiantou de nada.
Na região compreendida entre as primeiras vivendas do Estoril e as últimas da zona do Guincho houve hoje 30 vozes que gritaram para a cozinha: "Ó Mariiiaaa... Afinal já não vai ser lagôôoosta pró jantaree... Descongele lá a sopa do capitão Iglo ó lá o que é... ca fartura ficou adiada por mais uns diaasss... Caturreira!".
ANÚNCIO

A minha amiga Pascale quer abrir um local em Lisboa onde se possa beber um copo de bom vinho, ou um kir, e comer algumas das deliciosas entradas francesas que ela prepara, enquanto se fala do que der na bolha desse dia.
É um sonho-projecto à procura de parceiros.
Os interessados que deixem um papelito na nossa e-morada.
ANÚNCIOS
Vou começar a anunciar. Assim. Como se isto fosse uma venda simpática e os vizinhos deixassem papelinhos para que outros pudessem ver. Não se esqueçam que os meus vizinhos são vocês, os unidos pela língua e espalhados pelo mundo.
Segue já o primeiro :)
2 FRASES (que afinal eram mais)
No canal Memória, Agostinho da Silva ressuscita para nos lembrar que as verdades mais simples são as mais absolutas. E, consequentemente, as que nos parecem mais difíceis de alcançar. Sobre o sentido de humor disse apenas: "os portugueses tocam o pessimismo como quem toca guitarra".

O rei dos pessimistas, Vasco Pulido Valente, tem, por outro lado, uma frase optimista sobre o futuro desta coisa a que se consentiu chamar "Coligação" e de como o país se deverá livrar serenamente dela: ""A coligação precisa de ferver até ao fim no molho da sua própria miséria. Não vale a pena que ela acabe, se não for arrasada e, com ela, o bando que a imaginou e a seguiu".
INDEX

O Mário C. enviou-me este link. Afinal, como ele diz, "havia outros"...
Pelo menos, quando o "Tarzan" for proibido já saberemos onde é que as nossas luminárias foram buscar a ideia...

19 de novembro de 2004

ORELHAS MOUCAS

O ex-director de informação da RTP, José R. dos Santos lançou um novo livro. "A filha do capitão" (cito o título de memória...). Estou ansioso. Por saber o que reza a história. E mais ainda, QUANTO TEMPO levou a escrevê-la... Lembro que o seu último "romance" foi feito, segundo o autor, em 15 dias.
Trabalhar na RTP dá mesmo genica!
FREE SMOKE

Se dúvidas houvesse sobre o facto da nicotina provocar dependência bastaria ler a irritada crónica de Miguel S. Tavares, no "Público" de hoje, a propósito na lei que regula o consumo de tabaco em determinados locais públicos...
Numa coisa ele está certo a fiscalização da medida será longamente boicotada pelos milhares e milhares de viciados que deveriam zelar pela sua implementação.
Até que a coisa estabilize e ouçamos muitos dos que clamarão nos próximos tempos "Injustiça!" jurar que sempre foram contra o fumar em recintos fechados.
Haja paciência...!

18 de novembro de 2004

0, 6 %

é o orçamento para a Cultura, em 2005.
Vale a pena dizer mais alguma coisa?

17 de novembro de 2004

A LESTE NADA DE NOVO

Os comunistas que eu conheço são todos pessoas generosas. Acreditam na transformação do mundo em prol dos mais desfavorecidos, abominam a injustiça e não têm medo de meter as mãos ao trabalho.
Ora, pergunto eu: como é que pessoas inteligentes e sensíveis se podem rever no PCP? O PCP que alimenta e se alimenta da CGTP e de um corpo cada vez mais envelhecido e diminuto de militantes? Num um partido cego que se prepara para eleger uma figura anacrónica, tirada a ferros surpresos dos ESTEIROS?
Num momento em que o pior da Direita portuguesa se esfalfa para nos entregar a todos aos bichos, a esquerda dá tiros no pé ao som de música mais do que ultrapassadas...
Não vejo ninguém a propôr uma resistência consistente a esta onda de cretinismo santano-portista em que mergulhamos. De um lado, elegem-se "antifascistas", do outro, para as bandas do largo do Rato vejo sair (literalmente) o que em linguagem novecentista seriam "homens distintos" de sobretudo elegante e que entram em BMWs de cilindrada alta...
Não me surpreende nada que cada vez mais me cheguem e-mails distantes dos nossos melhores. Daqueles que tomaram consciência que Portugal só se pode construir fora das suas fronteiras.

16 de novembro de 2004

DA LAMÚRIA DO CINEMA

Pertenço à turma do Hitchcock no que se refere à verdadeira necessidade para fazer um bom filme. Segundo ele, são necessárias 3 coisas: "Argumento, argumento, argumento".
Contudo, para os que não concebem um filme sem o primado da imagem perfeita e ao mesmo tempo não conseguem seduzir os júris do ICAM, remeto para o texto que se segue. Uma das 4 mulheres admitidas na American Society of Cinematographers (só isto já daria assunto de conversa, mas adiante...) ganhou em Sundance, este ano, o prémio de melhor fotografia. Com um caríssimo aparato de 35mm? Não. Com uma câmara miniDV. Armadilhada, é certo. Mas ainda assim...
Ler para avançar:

"Veteran director of photography Nancy Schreiber A.S.C. was recently honored with the Excellence in Cinematography Award at the 2004 Sundance Film Festival for her ?exceptional photography? on the drama November starring Courteney Cox, James Le Gros and Anne Archer, and directed by Greg Harrison. ?November,? produced by IFC Productions? digital initiative InDigEnt and Map Point Pictures, was shot with Panasonic AG-DVX100 Mini-DV 3-CCD camcorders.
For Schreiber (only the fourth woman voted into membership into the American Society of Cinematographers), this is her second Cinematography Award from Sundance, having shared the 1997 prize for My America?or Honk If You Love Buddha. Among her many other accolades are a Kodak Vision Award, an Emmy nomination (HBO?s ?Celluloid Closet?), and an IFP Spirit Award nomination for her striking work on Chain of Desire, starring Linda Fiorentino and Malcolm McDowell. Other projects include ?Your Friends and Neighbors, directed by Neil LaBute, starring Ben Stiller, Amy Brenneman and Jason Patric; and Loverboy, directed by Kevin Bacon, starring Kyra Sedgwick, Sandra Bullock, and Matt Dillon. She has shot more than 100 music videos for such recording artists as Aretha Franklin, Billy Joel, Sting, Van Morrison and Reba McIntire. In 2000, Schreiber was named one of Varietys ten top DPs to watch.
From a script by first-time screenwriter Benjamin Brand, November, which had its premiere at Sundance, stars Cox as Sophie Jacobs, a photographer who is stricken with feelings of guilt and sadness when her boyfriend is murdered during a robbery. Haunted by a belief that she could have somehow prevented the death, Sophie soon begins to see things that should not be there, and is forced to question the reality around her. The New York Times took note of Schreiber's inventive digital camerawork on this noirish puzzle drama.
Familiar with her work, filmmaker Harrison approached Schreiber and invited her to DP November. Impressed by the script and Harrison's commitment to make the movie a visually rigorous and artistic statement, Schreiber was engaged, but concerned about the technical limitations of DV shooting, which clearly would be dictated by the production budget. I am primarily a film DP, and was concerned about resolution, or sharpness, when shooting November on small, mini DV cameras, then taking the product out to film, she recalled, but I was very interested in the AG-DVX100's 24p capabilities and its Leica lens. At that point, I'd only heard about the camcorder, but we tested it, and were impressed with its color handling, and my ability to control contrast and work in a totally manual mode. I particularly liked the ability to shoot at 1/24th sec shutter speed, which meant I could shoot inside or outside at night, with much less light. The camera also handled the highlights well, with a beautiful burn-out, and fewer artifacts than other similarly priced cameras.
The breakthrough AG-DVX100 is a unique Mini-DV 3-CCD camcorder with exclusive CineSwitch? technology that supports 480i/60 (NTSC), cinema-style 480p/24fps and 480p/30fps image capture. Panasonic is now delivering an upgraded version of the AG-DVX100, the AG-DVX100A, with more than 20 new features.
"November" was shot in and around Los Angeles over the course of 15 days last May. The production used two AG-DVX100s, with an occasional third camcorder utilized for pick-up shots.
10_November2.jpg

recebido via net

"Um velho árabe muçulmano iraquiano, a viver há mais de 40 anos nosEUA,quer plantar batatas no seu jardim, mas cavar a terra já é um trabalho demasiado pesado para ele. O seu filho único, Ahmed, está a estudar emFrança, e o velhote envia-lhe a seguinte mensagem:"Querido Ahmed:Sinto-me mal porque este ano não vou poder plantar batatas no jardim. Jáestou demasiado velho para cavar a terra. Se tu estivesses aqui, todos estes problemas desapareceriam. Sei que tu remexerias e prepararias toda aterra.Beijos, Papá"
Poucos dias depois, recebe a seguinte mensagem:"Querido pai:Se fazes favor, não toques na terra desse jardim. Escondi aí umas coisas.Beijos, Ahmed"
Na madrugada seguinte, aparecem no local a polícia, agentes do FBI, daCIA, os S.W.A.T., os Rangers, os Marines, Steven Seagal, SilvesterStallone e alguns mais da elite estadunidense, bem como representantes doPentágono, da Secretaria de Estado, do Mayor, etc. Removem toda a terra do jardim procurando bombas, ou material para as construir, antrax, etc.. Não encontram nada e vão-se embora, não sem antes interrogarem o velhote, que não fazia a mínima ideia do que eles buscavam.
Nesse mesmo dia, o velhote recebe outra mensagem:"Querido pai:Certamente a terra já está pronta para plantar as batatas. Foi o melhorque pude fazer, dadas as circunstâncias.Beijos, Ahmed"
DEMOCRACIA

Enquanto descíamos a Avenida da República, um amigo afirmava-me, para meu espanto, que acredita na existência da Democracia. No estado harmonioso, em que as forças sociais têm um peso equivalente, os tribunais aplicam imparcialmente as leis, as grandes empresas não interferem nos discursos dos políticos nem nas decisões editoriais dos jornais, em que a maioria das pessoas está disposta a aceitar a convivência pacífica com os que vivem de acordo com ideias diferentes das suas... Confesso que fiquei siderado, por me parecer evidente que o Estado em que vivemos se comporta como um corpo dominado pelas bactérias que o habitam: um dia podem estar a ganhar as que vêm nos anúncios dos iogurtes, mas enquanto isso, as patogénicas mordem o que apanham, provocam gases e arrotos, sonhando que o paraíso acontecerá no dia em que o corpo cair no chão. E elas se espalhem, se espalhem...
No fundo, tudo isto não passa de uma convulsão intestinal.
SOZINHO EM CASA

Na Sic Notícias discute-se a ideia dos conservadores britânicos em financiar as mães que queiram ficar em casa a tomar conta dos filhos. Calculo que a notícia esteja a ser tratada porque o cds queira apresentar a proposta e comece a semear o terreno, via media. Contudo, parece-me haver alguma bondade na ideia. Lembro-me sempre da frustração que foi colocar um certo rebento num infantário quando nos apetecia ficar a tratar dele. Mas como o fazer se os donos dos empregos não estavam preparados para fornecer a nenhum de nós um horário flexível que permitisse a alternância? Parece-me excessivo o princípio da subvenção total do que foi a decisão de um casal. Nenhum de nós deverá ser obrigado a sustentar a numerosa prole do D.Duarte. Mas, se ele quiser ser ajudado financeiramente para que reine apenas das 14 h às 20h sem passar fome, estou disponível para aceitar a concessão de um apoio.
Sim, alguma coisa deve ser feita para acabar com o crescimento solitário e desamparado nos novos portugueses. E sim, algum desconforto financeiro deverá prevalecer (se for caso disso) quando se decide suspender o trabalho em prol da família. São escolhas.

14 de novembro de 2004

RYAN

Nem sempre os prémios do Cinanima recolhem a concordância geral. Não é o caso deste ano. O grande prémio foi para "Ryan", de Chris Landreth. Uma maravilhosa homenagem (misturando um virtuosismo técnico a um argumento bem calibrado) ao animador Ryan Larkin (que vive nas ruas de Montreal). Mais detalhes aqui.

ryan.jpg

13 de novembro de 2004

ANIMAÇÃO (de Espinho)
Este ano está sol. E o mar continua cá, logo depois da linha férrea.
Sobre os filmes é sempre complicado falar. Apetece sempre pôr a coisa em termos de Melhor e Pior.
Sem isso, registo que gostei bastante de"Peixes", de Mirek Nisenbaum, ou como o Titanic permite sempre novas versões. "1916", de Fabien Bedouel (já visto no Indie) reconfirmou os seus méritos.E ainda "Le portefeuille" de Vincent Bierreweaerts ou como um homem se pode desdobrar sem deixar de ser ele (citando o poeta favorito dos brasileiros, portanto...). As deliciosas entrevistas de Nick Park "Creatures Confort" deixaram o público morno, sem perderem a sua genialidade. Ou serei eu que adoro ver bichos a falarem como homens...

10 de novembro de 2004

está frio. não sei se isto já é inverno, nunca soube quando é que poderíamos deixar de ficar tristes com o strip das folhas e começar a bater dente... não sei essas coisas; falta-me o gosto para verificar as autorizações. mas de onde escrevo é inverno, mesmo se não foi um dia desprovido de lareira, ou pequenos fogos que foram ardendo junto às horas e às coisas com que as preenchi. é inverno porque o meu gato diz que sim e se esconde por baixo de tudo o que se assemelhe a um cobertor. e os bichos sabem sempre melhor do que nós o nome das estações e as coisas que contam na vida: o corpo abrigado, o sexo quando faz falta e o roçar diário - várias vezes ao dia, até - pelas pernas de quem se gosta. está frio. encolheram-se-me as maiúsculas.
summer.jpg

9 de novembro de 2004

TV E POLÍTICA

Na TVE internacional o ministro da justiça espanhol debate com pessoas de diferentes quadrantes algumas das medidas mais polémicas a que se propôem. Da iluminação perfeita, ao som cristalino da televisão pública, passando pela maneira educada, moderna e viva como o debate foi conduzido e mantido por todos, recebo em cheio na cara a qualidade dos debates políticos que nos servem. E dos que se intitulam como nossos políticos.
Era como se estivesse a ver comer um jantar refinado de cinco pratos, enquanto no meu país me servem batatas frias com bife duro da véspera...
DOURAR A PILÚLA

O delegado de propaganda médica que acusou a mãe da Aspirina de andar a assediar médicos com luvas não-cirúrgicas estará maluquinho. Segundo a informação que o Correio da Manhã comprou a um funcionário do Tribunal, o homem andaria a telefonar a si próprio e ao advogado mega-esquerdino (esta última parte parece-me a mais assustadora, já que não consigo imaginar ninguém com vontade de telefonar ao Garcia Pereira...). Ou me engano muito, ou isto ainda acaba com a Bayer a perdoar ao seu agapito, alegando que só um tipo que toma os seus medicamentos de forma intensiva se lembraria de alegar que eles fariam o que fosse preciso para aumentar os milhões que ganham com a desgraça humana...

PRAXES

O caso da rapariga que não achou graça ser assaltada pela trupe fadanga do Instituto Agrário foi parar a tribunal. A senhora do Conselho Directivo lá se veio mostrar surpreendida, já que a rapaziada tinha sido castigada na altura com 15 dias de férias. E alguns estudantes actuais também vieram mostrar-se indignados com tanta falta de consciência sobre o que são as alegrias do estudo. Mas a melhor veio de um senhor que lá trabalha que disse com ar de desprezo: "esfregar estrume na cara é normalíssimo!". Sim e decapitar gente na Arábia Saudita também.
CANAL MEMÓRIA

Primeiro dia que o avisto e já me foi útil: fiquei a saber que a Helena Ramos ainda estava viva e a ganhar ordenado na RTP. Sabe Deus quem mais desenterrarão eles do mausoléu...

7 de novembro de 2004

Falta-me o tempo debaixo dos pés...
ANIMAÇÃO

Para os apreciadores de filmes de animação está a chegar a época da caça. O Cinanima (Festival de Cinema de Animação de Espinho) começa na próxima semana. Para quem gosta de curtas ( este ano, vão estar presentes algumas longas com interesse, igualmente), vale a pena rumar a Norte (ou a Sul, para os amigos da ponta superior do rectângulo) e ir passar lá uns dias. O cinema é bom, a seleccção também, as pessoas são acolhedoras e - por Zeus!- come-se bem, ou não estivéssemos em terra de bom garfo :)

INIMIGO PÚBLICO

Está cada dia melhor, o suplemento do Público. O dossier do J.Pina sobre a "Task force" para eleger um papa português, esta semana, foi de mais. Lol!
O cartoon do A. Jorge Gonçalves representando o presidente da América montado num elefante que esmaga gente, também está óptimo. Ou não fosse ele um nos melhores artistas gráficos portugueses.

LIVROS

Reparo, agora, que ultimamente não falo de livros. Como se não lesse. De filmes, sim, do país idem, mas de livros não. E contudo, tenho sempre alguns à cabeceira e outros à mão, enquanto desespero pelos/nos autocarros. Deve ser aquela coisa de não precisar sempre de estar a falar no nome dos amigos verdadeiros. Estando eles sempre connosco.

4 de novembro de 2004

PICKLES

Estive a pensar sobre a energia dos Conservadores. E parece-me que tal como os que querem a mudança em direcção ao futuro também eles se prontificam em puxar a carroça dos dias. Por lapso, foram presos ao contrário. Mas que diabo: quem nunca se enganou na direcção que atire a primeira maçã!

DonkeyCar.jpg
PROMOÇÕES

wizard.jpg


Só no outro dia, ao vê-lo na sua visita à Fraca Autoridade para a Comunicação Social, é que me apercebi que o Luis Delgado já tinha trepado até ao topo da PT (foi bonito ver toda a gente a jurar que o poder económico nunca iria interferir para favorecer um governo que o idolatra...). Ainda bem para ele, pois parece-me simbolizar bem o momento que o país atravessa.
Agora... se o Paulo Cardoso ou a Maya vierem reclamar postos iguais por serem tão bons adivinhos como ele, não se admirem...
ELOGIO DA DELAÇÃO

Muito bem terá feito o enfermeiro que denunciou a desgraçada de 17 anos que abortou. Quando morrer vai ser recebido no Céu pelos meninos do PP, de gravatinhas azuis e asas muito lavadinhas. E com um bocadinho de sorte, ainda pode entrar para criadito da Nogueira Pinto, na sua mansão celestial.
Quanto aos que se indignaram com a denúncia, peço um pouco de caridade: o senhor não tem culpa de ter saltado na escola, a parte que referia o direito do doente ao sigilo. Ou até, todo o capítulo de ética.
SUPER SIZE THEM

A América está mais busha.

1 de novembro de 2004

DOC LISBOA

Por razões de algum desânimo moral e de excesso de trabalho só pude assistir aos filmes de abertura e de encerramento. Mas pelo que fui constantando o festival correu muito bem. Cerca de 15000 pessoas assistiram aos filmes.
Gostei da cerimónia de encerramento. Por estar cheia e porque serviu entre outras coisas para várias pessoas se manifestarem sobre o momento político que atravessamos e da forma como o documentário deverá ser cada vez mais uma forma de revelar o presente em vez de urna das coisas passadas. O jovem realizador premiado com o seu documentário sobre Cesariny (não fixei o nome, mas já vou ver e corrijo...) fez uma declaração interessante que nos remeteu para a nossa passividade. O aplauso que se seguiu é bem revelador da forma como um governo cretino nos está a obrigar a radicalizar o discurso...
O filme de encerramento, O MUNDO SEGUNDO BUSH, não é brilhante. E tendencioso. Mas ainda assim cumpre uma missão de alerta a que não podemos ficar indiferente. Uma saudação aos programadores da RTP que tendo lido o programa do DOC acharam que passar NA MESMA NOITE esse documentário era uma ideia brilhante... Enfim... São artistas portugueses e ainda devem lavar as dentaduras com Pasta Medicinal Couto.
KISS ME 2

A fotografia é óptima, a música adequada e a modelo-protagonista portou-se bem. Erro clamoroso de casting na figura da mãe, que atira com ar pugente "Volta para o teu marido, Laura" (a frase é minha, de facto, embora dita por esta actriz tenha soado como se um dos Távoras estivesse a gritar do garrote). A reconstituição também está bem.
E, aqui e ali, o realizador conseguiu convencer-nos com aquela Laura-Rose, perversa e bela.




KISS ME 1

Não assisti à rodagem, nem à montagem do filme de António da C. Telles, ao qual emprestei (como outras pessoas) o meu nome enquanto argumentista.
Depois da antestreia, com toda a serenidade, gostaria apenas de me demarcar do resultado final. O argumento que vemos transportado em imagens está longe do que me foi solicitado e cumprido. Foi adulterado em excesso, carregado de diálogos simplistas e evidenciado no acumular de personagens.
Agradecia que sempre que se referissem a este filme, no que toca à estrutura e diálogos, omitissem o meu nome. É que não fui tido nem achado naquilo que chegou aos actores.


28 de outubro de 2004

A VILA

Ia preparado para um filme de terror. Os bosques lá estavam, a lembrar o... (BRANCA) feito sem dinheiro e onde o medo nunca é mostrado. (LEMBRANÇA: o "Blair Witch"!). Para quem tinha ficado desiludido com "Sinais", este filme foi uma boa surpresa. Uma câmara magistral, sobre uma história que nos vai surpreendendo. Aqui e ali, teríamos dispensado tanta informação, mas quando se reflecte melhor, estava-se era a falar de outra coisa ainda. Imperdível.
BACK!
:)
... olha e que se lixem os que constroem pirâmides de lixo e confundem o zunir das moscas em volta da cara com Mozart!
Será deles o reino dos Infernos. Entregue ao domícilio e de forma prematura.

20 de outubro de 2004

OBRIGADO
a todos os que se me têm dirigido para enviar um abraço solidário, via comentários, e-mails ou telefone.
O assunto seria ridículo se não denunciasse que muitos de nós que escrevemos, filmamos ou simplesment expressamos a nossa opinião sobre Portugal, dormimos algures, num computador do SIS. Pior: que existem pessoas no nosso país, repito, no NOSSO, o de todos, aquele que amamos apesar de tudo, que andam pelas livrarias a ver o que se escreve e a elaborar relatórios sobre a perniciosidade de alguns textos. Em 2004. Isso é que assusta e entristece. Que classifiquem como autor a "isolar" o homem que escreveu A MONTANHA MÁGICA é de brutos; de ignorância alimar. E quem são estes homens e mulheres que se escondem para nos espreitar? Quem os controla? Quem destrinça entre o que é opinião pessoal ou gosto da informação útil? Quem nos assegura que eles não forjam informações? Quem está a salvo deles?
Que governo é este que alimenta esta gente e se compraz na leitura de INDEXS inquisitoriais? Até quando poderemos achar que as coisas não vão voltar à podridão de um regime salazarento?

Se isto fosse um romance anterior ao século XX eu poderia fazer uma interpelação ao leitor:
"Tu, que me lês, julgas-te a salvo da lama que cai? Não o estejas, que a lama tem muitas cores e salpica quem pode, pois é essa a sua condição de lama...".


19 de outubro de 2004

O REGRESSO DA PIDE

Estou a avisar há uma série de tempo que este início de século, em Portugal, será uma época de barbárie onde os valores mais retrógrados e confundidos irão causar dano...
Eis a prova:

Telefonam-me do "CRIME", para me interrogarem a propósito de um relatório que o SIS (Sistema de Informações e Segurança) lhes teria fornecido (vendido?) em que uma das minhas obras era referida. Aparentemente, sou citado, ao lado de Thomas Mann e de André Gide, como um dos escritores que escreveram livros que "apresentam a pedofilia a uma luz favorável". O livro em questão é A Materna Doçura. O meu primeiro romance entra assim para o Index 5 anos após a sua publicação (o que só abona a favor da penetração da Oficina do Livro entre os meios... por assim dizer, policiais...).
E aqui estou eu, que nunca lidei de perto com a PIDE e não percebo nada de estar fichado por ter escrito um livro obviamente não lido, chocado...
Ainda mais com pasquins a farejar sangue (ainda que inexistente...), sempre atentos na produção de lama.
Quem nos protege disto?

O Sântano é ainda mais triste do que eu pensava...

ps: se não fosse desolador ver que o dinheiro dos nossos impostos vai para os ordenados de pessoas que perdem tempo a ver em livros "matérias proibidas", em vez de andarem atrás dos gangs de criminosos que matam e lesam economicamente o país, seria risível. Assim, nem por isso.


View image

Para os apreciadores do género, já começam a circular pela net as pré-imagens da ida ao campeonato mundial de Quiditch. Nos nosso cinemas só daqui a um ano. ;)
FESTA DO CINEMA FRANCÊS

Correu bem. Muitas sessões de casa cheia (lembro que tem mais de 800 lugares, a sala 1 do S. Jorge). Alguma descoordenação com as sessões paralelas (lembro o caso da apresentação quase à mesma hora de outros filmes do autor que estava a ser mostrado na sala principal. Das duas uma, ou se optava por ir ver um filme antigo ou, gostanto do filme recente perdia-se o ver ou rever de outros feitos anteriormente).

LES CHORISTES foi uma boa surpresa. Um filme de grande público que conseguiu fazer passar a emoção a uma audiência muito heterogénia.

O filme de Agnès Jaoui realizadora de O GOSTO DOS OUTROS volta a ganhar com COMME UNE IMAGE, uma comédia sobre um escritor egocêntrico (uma redundância, eu sei...).

François Ozon, que tem uma filmografia formidável desilude em toda a linha, com o sue 5 X 2, uma espécie de MEMENTO sentimental, com a montagem de trás para frente. A ideia não é má e as cenas são bem filmadas e interpretadas, claro. Mas chega-se ao final e apetece-nos citar o título infantil: "Uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma".

Para o ano há mais, se o S. Jorge existir como cinema. Se esta câmara e as suas ideias pós-modernas fora de tempo não se lembrarem de o transformar numa coisa irreconhecível e musical...

18 de outubro de 2004

MAU TEMPO NO CANAL

Chove. Por todo o lado.
... Mas, olhando bem, ainda estou razoavelmente enxuto.
Vamos lá, então, receber a semana!